Estavam apaixonados, ele precisava dum transplante de pulmões, ela precisava dele, ele precisava dela, e dum transplante de pulmões, ela - por um qualquer motivo que não apanhei - provocava-lhe infecções, terríveis e incompatíveis, com quem se candidata a um transplante de pulmões, também lhe dava o que ele precisava, amor, e ele a ela, amor, que é o oxigénio da alma, mas, as infecções eram terríveis, e incompatíveis, com quem se candidata a um transplante de pulmões, os médicos, mandaram-nos afastar-se um do outro, eles protestaram, disseram não, o corpo clínico disse que uns pulmões novos, eram uma benção, uma dádiva, eles disseram que o que sentiam, também, uma benção, uma dádiva, mas os médicos disseram não, que uma dádiva, é viver, isso é que é uma dádiva, e que, ou se afastavam, ou não havia pulmões novos práquela mesa, porque os riscos, eram muitos,e que ela ia mata-lo, que era como se agarrasse numa arma, e a apontasse a ele - por um motivo qualquer que não apanhei - ela, que o amava, e a quem ele amava, fazia-lhe aquilo, mal, ele relutou, ela repensou, o problema era ela, ela tinha qualquer coisa - por um qualquer motivo que não apanhei - que lhe fazia mal, a ele, se ficasse, porque ele precisava duns pulmões novos, e assim, não os recebia, então ela, achou melhor ir, porque havia que deixa-lo viver, e eram novos, disse a outra médica, eles, ambos, novos, haviam d'encontrar outras pessoas, e depois, havia também que respeitar a família daquela pessoa, que tinha acabado de morrer, e a pessoa, que tinha acabado de morrer, e de quem ele ia receber os pulmões, lindos, e novos, também, como eles, os dois, uns pulmões novos, e lindos, saudáveis e novos, e lindos, ela foi embora, a chorar, porque sabia que aquilo era mentira, aquilo, de se encontrar outras pessoas, era nova mas não estúpida, há coisas que uma pessoa sabe, e pronto, ele também, acho que ele também sabia, mas o problema é que ele, precisava mesmo de respirar e assim como estava, não conseguia, e ele queria respirar, com ela, por ela, dela, mas assim, não conseguia, e precisava de respirar, dela, mas ela, era um problema, fazia-lhe mal, e bem, mas prevaleceu o mal, que ela lhe fazia - por um motivo qualquer que não apanhei - então ela, foi-se, mas não antes de pedir que lhe dissessem, a ele, que ele precisava mesmo, mesmo, de procurar uma outra pessoa, já agora que tinha pulmões novos e tudo, e foi-se, a chorar, ele ficou, lá, com os pulmões d'alguém que, porque morreu, lhos deu, e há que respeitar estes gestos, nobres, há que respeitar, há que respeitar, sabe-se lá por quem aqueles pulmões inspiravam, e expiravam, sabe-se lá, quem dependia deles, para além do quem óbvio, ele recebeu-os e ali ficou, em recuperação, morto, mas vivo, e em recuperação, física, ela, foi-se, porque é assim, quem ama, faz destas coisas, larga, afasta-se, aparta-se, o mais possível, quando, o que de melhor tem pra dar, se torna, num qualquer tipo de infecção, então, ele chorou, ela chorou, eu chorei, choramos todos e acabou, e todos compreenderam, cada um fez a sua parte, ela, ele, os médicos, até o defunto, fez a sua parte, todos sublimaram, o que havia a sublimar: pra se respirar, é preciso pulmões, facto, quanto mais não seja, pra se continuar só, a respirar, ou continuar, só, e só até àquele dia, em que se vai encontrar outro alguém, porque vai, vão, que há tantas pessoas no mundo, tanta alma, tanta, tanta,tanta, tanta, tanta, que seria muito improvável, de entre esse tanto, não se dar com outro quem, por quem. Respirar. Neste matadouro d'almas.
In Anatomia de Gray, que é aquela série onde se fazem os transplantes possíveis.


31 aprofundamentos da coisa:
Mais um caso em que o livro é melhor que o filme, obrigado Isaltina!
Também gostei da banda sonora.
Estás estranhamente simpático, JJ... mas eu aproveito, grata e enternecida, que nunca fui de deitar fora cariños.
É como a comida, que deitar fora é pecado.
(provavelmente o único que subscrevo)
É verdade Isa, de um episódio lamecha de uma série fraquinha, fizeste um texto fantástico.
A parte final é sublime.Mesmo,mesmo.
Kanimambo.:)
o mundo está cheio de Marias Madalenas poluidoras. até nos filmes... porque será que não há Mários Madalenos?
Elisauééé, Elisauááá, Elisauééé, Gomará Saiááá...
António, desculpe estar a meter-me na conversa, mas olhe que há-os poluidores.
Deviam trazer "biohazard" tatuado na testa.
Eta! grande Francisco, um cadinho desafinado, mas que se lixe, é marrabenta!!:))
António, a piquena do filme tinha mesmo uma coisa quanquer que não apanhei, hã? não era só por ser mulher. Ela não podia, de todo, estar por perto dele, após a operação porque tinha qualquer coisa. Que não apanhei.
E sequiúzemi, não há uotchi?? olha-me ele, é memo só o que há, caray, enfim ... se generalizarmos e nem sequer precisa ser em muito.
Dá-le Margarida!
É realmente uma pena não fazeres isto mais vezes. As minhas homenagens.
Terminados os salamaleques... achei mal roubares a banda sonora, mas enfim, já estou habituado.
Procastinas? Esse episódio tem assim qq coisa como dois anos.
Para ajudar a lembrar.
http://youtu.be/NEOem7U2LPE
Nunca tinha visto tanta vírgula junta. Ganda técnica. Além da outra parte.
Agora vou ali chorar e tatuar o "biohazard".
atão não há? mas isso é na vida real! na religião e nos filmes de cordel, são mais elas :P
Como convém, poisé? É por-se sempre a culpa nelas, ah .. e agora culpa-se quem ...? tão! elas! pois tá claro, as venenosas, as impuras, as pérfidas. Porque, as insubstituíveis.
Eva, Eva, EVA! Porrrrquê que não espetaste com um calduço ao Adão e punha-lo logo a ele, a Deus e a tudo no lugar, pá!!!
Anaum, procrastino. Meu bem, não faço eu outra coisa, o que eu desatino com isto, num tás bem a ver. É uma luta interior, constante, desgastante, exasperante, enfim, um martírio, sabes lá.
Mas neste caso, foi porque revi o episódio ontem.
Obrigada pelo cumprimento, não faço mais porque não sei, estas coisas saem-se-me assim, quando querem. Não sou eu que mando. As vírgulas, foi por causa que perdem a validade no principio do próximo ano e eu não gosto de deitar nada fora, como acho que já disse.
O video, soberbo. Gracias. Não gosto do Cruise mas adorei rever aquela mota, os aviões que não sei o nome e o resto da panorâmica, que também não estava nada mal. A música só por si, breathless.
No caso do post, achei melhor uma que fizesse parte da banda sonora do kill Bill. Contextos e isso.
Fiquei sem fôlego...
Um bom dia, Isa ))
Parabéns pela Frase (leia-se Post), duma dimensão inusitada, sem duvida alguma a maior até hoje escrita.
Mas grande, também, em humanidade.
(E será que pode deixar de falar em corações destroçados e transplantes?)
(Posso meu bem, que a bem da verdade também já ando fartinha desta merda. E então, falamos do quê?)
E obrigada. E bom dia:))
Roque, já passou ...?
Pão e circo e tu... ópera. Depois é isto, o deserto. Quase.
Isaltina, quando é que postas o próximo episódio?
Também podias postar relatos de jogos de futebol, hã?
triste.
e por algum estranho motivo recorda-me essas magníficas criaturas que são os pinguins.
andas a ler bolaño?
A amiga Isa anda triste, desmotivada, descabelada por dentro, como uma arvore no outono, mais um, e portanto nada de novo.
Então pois não é?
É pois!
Nope, ando a ler-me. Tu tás bom? Andas desaparecido e não gosto nada de não saber da minha gente, hã? Fico danada com estas situações e eu se fosse a ti não m'enervava mais, cainda se me explode práqui qualquer coisa e 'pois quero ver comé que te justificas perante o pessoal cá de casa.
És tu e o Salvador, que me deixou a tarde toda a pensar nele.
Isto parecendo que não, uma pessoa cria cenas cibernáuticas, apega-se aos niks e depois preocupa-se, né? pois tá claro que é. Tou a perguntar pra quê? É!
Anaum, ca foi, tá-te a faltar com quem implicar, é? já volto pá, deixa só passar as putas das dores de cabeça, arritmias e estas merdas cagora se me dão assim sem mai nem menos, tá bem?
Acho ca culpa é da minha mãe, dassssse, o que aquela santa me rouba de qualidade de vida é assim de bradar aos céus.
Jones, sabes qué que eu podia fazer também?... ora vê lá s'adivinhas.
Viste o nosso timing, Jones?
Olé.
Pena não estarmos assim tão sincronizados em tudo, que se estragava uma casa só.
E tá calado.
Não percebeste ou chutaste pra canto?
Grande timing pá, eu sempre achei que algo nos unia desde o 1º dia em que te li.
Até quase me vem uma lágrima ao olho só de pensar naquele momento.
Ainda por cima foi no blogue do amor.
Percebi. Acho.
E não chutei. Contornei e guardei. Pra mim.
Pega
(se procurares bem, vai por aí algures um chuáque)
http://www.youtube.com/watch?v=UgaN3vIqJUY&feature=related
(aquilo era pró Anão)
JJ ... JJ... JJ ... tu vai-te deitar 'parigo...
Por causa da referência ao blogue do amor?
De facto aquilo ficou com se tivesse sido alagado por um tsunami, como se lá tivesse passado uma onda de desencanto, quase como as crianças quando descobrem que afinal o pai natal não é para sempre.
Diz o roto ao nu: porque não te vestes tu??
Deixa-me implicar sossegado pá!
não, desaparecido não, apenas ausente, trabalho, saúde, tudo menos diversão.
:(
(era capaz de m'habituar a comunicar só assim, com esta sinalética merdosa).
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